terça-feira, 8 de julho de 2025

VELHO CHICO, SANGUE BOM

 

Imagem: Site Google de Pesquisa

Desde a Serra da Canastra

Onde nasce dom transparente

Afluentes para si, arrasta

Despertando seres viventes

Velho Chico é sangue bom

Semear vida é o seu dom

Para o bem da nossa gente

 

Gerais das Minas para a Bahia

De outros estados ao oceano

Pelas curvas da terra magia

No circular celeste plano

Velho Chico é sangue bom

Semear vida é o seu dom

Para fauna, flora e humanos

 

Suas margens choram memórias

A lavadeira foi quem contou

O pescador narra histórias

Irriga plantio o agricultor

Velho Chico é sangue bom

Semear vida é o seu dom

Inspira os causos, velho nagô


Escorre no sertão que arde

Fazendo a terra brotar

Brota também diversidade

No povo que vive lá

Velho Chico é sangue bom

Semear vida é o seu dom

O diferente faz o lugar

 

Pintor viaja no imaginário

Cantor poetiza os fatos

Escritor dança extraordinário 

Humorista interpreta boatos

Velho Chico é sangue bom

Semear vida é o seu dom

Cartão postal faz o retrato

 

O ribeirinho que é feliz

Em gosto, atitude e estrutura

O rio maravilha do país

Espelha a alma da criatura

Velho Chico é sangue bom

Semear vida é o seu dom

É diversidade, memória, cultura

Oliveira Tinuno 2025

segunda-feira, 28 de abril de 2025

CONSCIÊNCIA NEGRA

 Dê um Basta!

Dê um basta a atitude

De quem pensa desigualdade

De quem não vive a plenitude

Da essência da identidade

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa ser racismo

De quem não vive a plenitude

Da essência do altruísmo

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa ser exclusão

De quem não vive a plenitude

Da essência do ser irmão

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um


 

Dê um basta na atitude

De quem pensa ser preconceito

De quem não vive a plenitude

Da essência de ter direitos

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa segregação

De quem não vive a plenitude

Da essência do coração

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa iniquidade

De quem não vive a plenitude

Da essência da amizade

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um


Dê um basta na atitude

De quem pensa ser violência

De quem não vive a plenitude

Da essência da paciência

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa ser opressão

De quem não vive a plenitude

Da essência da união

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa silenciar

De quem não vive a plenitude

Da essência do desabafar

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um


Dê um basta na atitude

De quem pensa ser arrogância 

De quem não vive a plenitude

Da essência de ser tolerância

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa humilhação

De quem não vive a plenitude

Da essência da valorização

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De o bullying ser o seu guia

De quem não vive a plenitude

Da essência da empatia 

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um


Dê um basta na atitude

De quem pensa discriminar

De quem não vive a plenitude

Da essência do abraçar

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um

 

Dê um basta na atitude

De quem pensa marginalizar

De quem não vive a plenitude

Da essência do saber amar

Oxente Nosso com direitos

Ouça esse zum, zum, zum

Cada um tem o seu jeito

Cada jeito é de um


 


___________ Oliveira Tinuno 2024

MESTIÇAGEM

 

MESTIÇAGEM

IMAGEM: Mestiço, Candido Portinari – Historia das Artes
Visita

Era uma vez um homem branco

Europeu rico e escolarizado

Viajava pelo mundo

Pelos oceanos afortunados

Fazendo as descobertas

Sempre bem acompanhado

 

Certa vez ele se perdeu

E toda América cruzou

Ao ver terra à vista

No Porto Seguro ancorou

Deu o Nome de Brasil

Na Bahia que se instalou

 

Viu um povo bem natural

Que nas terras já habitavam

Tentou manter contado

Mas o povo bem evitava

Os costumes eram diferentes

Dos estranhos que ali chegava

 

Foram chamados de selvagens

Os verdadeiros donos da terra

Que era rica e produtiva

E não conhecia a tal da guerra

A desavença começou ali

E até hoje não encerra

 

Naquela terra de tudo tinha

De mãos de obra precisava

Tentaram, então, escravizar

Os primitivos que a terra amava

Como bem conhecia a mata

O povo astuto se esquivava

 

Os espertos invasores

Sabiam das dificuldades

Que o continente africano

Passava por necessidade

Daí, cruzaram o oceano

Pra tirar do afro a liberdade

 

Recrutaram vários humanos

De cor bastante escura

E os trouxeram assim forçado

Para o desejo de escravatura

Trabalhavam pela comida

E apanhavam as criaturas

 

Sabe a vida de um animal

Fosse melhor, talvez

O negro vindo da África

Não tinha voz e nem vez

Condenado a só servir

Aos ricos, rainhas e reis

 

Era feito mercadorias

Quem tem dinheiro, manda

Sem direitos a requerer

Com os brutos não há demanda

O couro vinha a arder

Segue ao ritmo que toca a banda

 

Depois de sofrerem sem voz

Foram se munindo em conduta

Eram pobres os desvalidos

Mas tinham as mentes astutas

Eram fortes de corpo e alma

E partiram dali pra luta

 

Aos poucos vêm demonstrando

E exigindo os seus direitos

Que sua cultura seja aceita

Que não pode haver preconceito

Que a cor da pele preta

Não impede de ser perfeito

 

Hoje se vê claramente

Que o País que foi invadido

Aponta a um norte, por sorte

De um povo mais esclarecido

E que o mestiço aqui formado

Pode ter mente de evoluído

 

É sonhado ver um Brasil

Onde o que vale é a competência

Que o nativo tenha seu espaço

E o negro mostre a inteligência

Que o branco seja mais humano

E todos tenham, em si, essência.


 

______________Oliveira Tinuno 2024

segunda-feira, 20 de março de 2023

ACRÓSTICO

 

LER É BOM


Imagem: Site Google de Pesquisa

 

Leva a todo lugar do mundo

Envolve no mundo da realidade

Resgata imaginários profundos

 

É grátis e para todas as idades

 

Busca novos conhecimentos

Ostenta poder, cultura, reflexibilidade

Mostra portas a novos entendimentos


Oliveira Tinuno - 2022

sábado, 10 de setembro de 2016

HISTÓRICO


FAMÍLIA OLIVEIRA, UM PORTO SEGURO!
EU FAÇO PARTE!
“Amor de família é a coisa mais inexplicável do mundo, nenhum pai consegue dizer para um filho quanto o ama, nem o filho sabe dizer ao pai, então simplesmente demonstram”. (autor Desconhecido)

Na Favelândia onde nasceu

Ali mesmo foi criado

O menino que nasceu belo

Crescera honesto e educado

Optou por fazer o bem

Sem mesmo escolher a quem

E por todos é respeitado

 

Ana por sua vez

Desde menina formosa

Viria a encantar o mundo

Com sua alma generosa

Honesta, fiel, prendada

Pela fé foi educada

Com a beleza de um rosa


Quando meninos se conheceram

Brincaram juntos, maravilhados

Mas foi na juventude

Que tinham almas de apaixonados

Em junho, dia 23

Bem certos do que fez

Eram os dois namorados


Mil novecentos e cinquenta e oito

No mais firme contentamento

Valdo se enche de coragem

Nos conformes e consentimentos

A Deolinda e Astrogildo

Querendo ser bom marido

Pede Ana em casamento


Dia 04 de dezembro

1960 era o ano

Ana e Valdo decidiram

Seguirem o mesmo plano

O povo testemunhou

O padre João abençoou

Os dois corações humanos


Com sofrimento do tempo

E grandes dificuldades

Dão a vida a 13 filhos

Sentindo necessidade

Planta, colhe, na labuta

Toma chuva, sente a luta

Sonhando a felicidade


Em 1972

Grande acontecimento

Uma seca muito grande

Causa grande sofrimento

Ao estado de Goiás

Em busca de algo mais

Bate em “retiramento”


Ao chegar em Goiás

Foi grande a decepção

O que seria um sonho

Tornara grande ilusão

Vive o mesmo sofrimento

A vida é só lamento

Mal dava para comprar o pão


A família que pra lá foi

8 filhos e o casal

E os amigos que acompanharam

Também sofreram afinal

A família de sertanejo

Tinha unânime desejo

Regressar à terra natal


Dificuldades continuam

Quando a família regressou

Pra criar os 12 filhos

Com os amigos ela contou

Não deixava faltar o pão

Mas no pobre coração

Não há de faltar amor


As primeiras criaturas

Sofreram também na lida

Trabalhavam de sol a sol

Para produzir a comida

Livres de todo engano

Tornaram seres humanos

Respeitados pela vida


Arroz, para o cultivo

Também cultivou feijão

Plantava e colhia milho

Labutaram com o algodão

Cultivaram macaxeira

Sofreram a vida inteira

Mas tinha na mesa o pão


Numa criação rígida

A família foi educada

Filhos obedeciam a pais

E a recíproca era dada

Bastava um só sinal

Se acontece algo anormal

Basta o pai dá uma olhada


Os filhos pós viagem

Teve outra criação

Ele não trabalha muito

Tem direito a educação

A escola que o pai não teve

Com os recursos que obteve

Para o filho é obrigação


Maior ensinamento, porém

Foi adquirido mesmo no lar

De sempre fazer o certo

E a vida valorizar

Respeitar o semelhante

No propósito constante

De não roubar e nem matar


Em 1994

A necessidade revigora

Favelândia não tem suporte

Pro filho continuar na escola

Pra ver filho professor

Abre mão da terra amor

Da Favelândia vai embora


Os filhos então criados

Outras famílias formando

Com a chegada de genros e noras

A família foi se ampliando

Com os netos que também casaram

Prova certa que se amaram

Os bisnetos foram chegando

   

Em quantidade e qualidade

A família assim formou

Driblam-se as diferenças

Mantém o humano calor

Se reúnem diariamente

Com amigos e parentes

Para manifestar amor


Os 15 netos e 3 bisnetos

Os 12 filhos e o casal

8 genros e uma nora

E o extra conjugal

Com os netos adquiridos

Todos que são bem-vindos

São 47 no total


Muda para Bom Jesus da Lapa

Lugar certo pra moradia

Caminha com a igreja

Por tradição e garantia

A fé que tem em Deus

Passam para os filhos seus

Venera a Virgem Maria


Uma parte da família

Que em são Paulo faz morada

Faz visita anual

A família tão amada

Tendo com espelho certo

A graça de estar por perto

Da família abençoada


A maior parte aqui reside

Marca todo dia o ponto

Na casa do patriarca

Quem passa vê-se em espanto

O almoço no domingo

Há sempre de ter um bingo

Para divertir o encontro


Essa família é muito unida

E também muito animada

Viaja por qualquer razão

É riqueza por Deus dada

Veio pra viver o amor

Agradece sempre ao Senhor

Pela graça alcançada